terça-feira, 17 de setembro de 2013

Depressão na Terceira Idade



O envelhecimento da população é um fenômeno mundial e contemporâneo. É cada vez maior a porcentagem de idosos no planeta e, com isso, cresce a preocupação com a saúde desta população.
Quando o idoso torna-se dependente, por razões financeiras, de saúde ou perda do conjugue; geralmente passa a morar com algum membro de sua família. Este convívio pode ser bastante turbulento para ambas as partes se não forem tomadas uma série de precauções. As pessoas que cuidam ou convivem com um idoso precisam ter atenção a atitudes que podem comprometer o relacionamento, além de abrir portas para doenças como a depressão.
O estado depressivo na terceira idade se caracteriza principalmente por um humor deprimido, melancólico e geralmente vem acompanhada de ansiedade e tensão muscular. A incidência da doença aumenta significativamente após a morte de um cônjuge. Este é um dos dez acontecimentos mais estressantes na vida que podem levar a depressão.

As particularidades da depressão do idoso são queixas somáticas como, dores crônicas, cansaço e distúrbios de apetite. Dentre os sintomas psicológicos, o mais frequente são: A perda da capacidade de sentir prazer e déficits cognitivos, particularmente de memória. Inquietação, insegurança e hostilidade. Irritabilidade e Agressividade. Insônia e/ou excesso de sono.

Pelo sofrimento causado ao idoso e seus familiares, é importante procurar ajuda profissional para um tratamento adequado. No convívio diário, gestos simples - como o de inserir o idoso na rotina da casa, perguntando o que ele quer comer, pedindo a sua opinião sobre determinado programa de televisão, ou até mesmo qual passeio gostaria de fazer no fim de semana -; ajudam na integração do convívio familiar.

A diferença da depressão no idoso com relação aos indivíduos de outras faixas etárias é que este já sofreu, naturalmente, uma redução em seu convívio social. Se aliado a isto não se sentir importante e não puder participar do dia-a-dia dos familiares próximos, ficará desestimulado e acabará se isolando por iniciativa própria. A partir daí, irá se alimentar menos, movimentar-se menos e ficar mais sonolento. Está aberta uma porta para doenças como desnutrição, processos infecciosos, desidratação ou deterioração orgânica e muscular, que acabam acelerando o envelhecimento.




segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Freud: A função libidinal do Trabalho



Quando numa pessoa não existe uma disposição especial que indique com precisão a direção que seus interesses na vida tomarão, o trabalho profissional comum, aberto a todos, pode desempenhar um importante papel. Nenhuma outra técnica para a conduta da vida prende o indivíduo tão firmemente à realidade quanto à ênfase concedida ao trabalho, pois este, pelo menos, fornece-lhe um lugar seguro numa parte da realidade, na comunidade humana.  A possibilidade que essa técnica oferece de deslocar uma grande quantidade de componentes libidinais, sejam eles narcísicos, agressivos ou mesmo eróticos, para o trabalho profissional, e para os relacionamentos humanos a ele vinculado, empresta-lhe um valor que de maneira alguma está em segundo plano quanto ao do que goza como algo indispensável à preservação e justificação da existência em sociedade. A atividade profissional constitui fonte de satisfação especial, se for livremente escolhida, isto é, se, por meio de sublimação, tornar possível o uso de inclinações existentes, de impulsos pulsionais persistentes ou constitucionalmente reforçados. No entanto, como caminho para a felicidade, o trabalho não é altamente prezado pelos homens. Não se esforçam em relação a ele como o fazem em relação a outras possibilidades de satisfação. A grande maioria das pessoas só trabalha sob a pressão da necessidade, e essa natural aversão humana ao trabalho suscita problemas sociais extremamente difíceis.


Sigmund Freud – O Mal-Estar na Civilização

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Memória Afetiva: Re-Memórias



A memória é sempre inventiva e infiel. O passado que volta à consciência é apenas o reflexo remoto de uma realidade perdida para sempre, uma realidade que captamos inevitavelmente deformada através do filtro de nossa percepção atual. Esse é o motivo pelo qual a recordação de nosso passado é apenas o fruto de uma ilusória reconstrução. Quando pensamos, por exemplo, na casa de nossa infância, sempre a imaginamos imensa, mas, voltando lá, decepcionamo-nos com suas modestas dimensões. A casa que o garotinho deixou não é mais a mesma aos olhos do homem maduro que ele se tornou. Assim, o presente opera como uma lente deformadora do passado. Portanto, toda recordação é, necessariamente, o resultado da reinterpretação subjetiva de uma realidade antiga, e nunca sua evocação fiel. Não existe passado senão remodelado e recriado à luz de nossa percepção presente. É por isso que diremos que a recordação não é o passado, mas um ato do presente, uma criação do presente.

J.D. Nasio 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Flores Raras ... e Banalíssimas





Estreia "Flores Raras", de Bruno Barreto. O filme - baseado no livro "Flores Raras e Banalíssimas", de Carmen L. Oliveira -nova edição pela Rocco - conta a história dos 17 anos (mais ou menos) que Elizabeth Bishop passou no Brasil.



Na sua chegada ao porto de Santos, em 1951, Bishop já era uma poeta reconhecida, "poet laureate" dos EUA. Nota: "poet laureate" é um cargo de poeta oficial nacional, que raramente me desapontou. Carol Ann Duffy, uma de minhas poetas preferidas, ainda é "poet laureate" do Reino Unido; Billy Collins e Louise Glück foram "poet laureate" dos Estados Unidos, sem contar Robert Frost e Joseph Brodsky. Aliás, eu descobri Collins e Duffy quando se tornaram "poet laureate" de seus países.



Enfim, Bishop estava circum-navegando a América do Sul; viajando, ela queria aliviar sua melancolia. Como Robert Lowell lhe diz lindamente no filme: ela procurava a "cura geográfica". Em Santos, a poeta desceu do barco com a ideia de passar uma semana ou duas visitando uma amiga, Mary Morse, que era então a companheira de Lota de Macedo Soares.



À primeira vista, o encontro de Elizabeth Bishop e Lota não foi muito promissor. Aos olhos de Lota, maravilhosamente interpretada ou inventada por uma inesquecível Glória Pires, Bishop devia parecer como uma chata, por grande poeta que fosse. E é provável que Bishop se assustasse pela presença expansiva de Lota. Agora, uma sugestão: é sempre bom desconfiar dos outros ou outras que seu parceiro ou parceira acha imediata e excessivamente desinteressantes.



De qualquer forma, o encontro de Elizabeth e Lota foi o começo de uma relação que é, para mim, um protótipo de história de amor que vale a pena. Alguns dirão que não acabou bem. Mas esse não é um argumento. O que importa mais é que, nos anos em que elas se amaram, cada uma delas deu o melhor de si: Bishop escreveu os poemas de "North and South" (que lhe valeram o prêmio Pulitzer), e Lota concebeu e realizou o aterro de Flamengo, no Rio de Janeiro.



É frequente que, num casamento, o cônjuge, por adorável que seja, apareça como alguém que limita nosso desejo -às vezes, ele, de fato, compete com nossa vida e domestica nossos sonhos. Esse não foi o caso de Elizabeth e Lota: cada uma potencializou o gênio da outra -essa é uma flor rara.
Detalhe crucial, "Flores Raras" não é um filme sobre um amor homossexual, simplesmente porque o fato de que se trata de duas mulheres é indiferente -o espectador não tem nem tempo nem disposição para aprovar ou para recriminar o amor de Elizabeth e Lota.



Talvez, na sociedade privilegiada e culta do Rio de Janeiro dos anos 1950-1960, pouco importasse que Lota e Elizabeth fossem duas mulheres. Não sei. O fato é que Bruno Barreto conseguiu contar a história de Lota e Elizabeth de tal forma que o gênero e a opção sexual das amantes é muito menos importante do que o amor entre elas.



Ontem, em São Paulo, no "Fronteiras do Pensamento", palestrou Anthony Appiah (professor em Princeton, autor de "O Código de Honra", Cia das Letras). Numa entrevista a Cassiano Elek Machado, na Folha de 10/8, Appiah menciona a revolução moral recente pela qual "há 20 anos, a maioria das pessoas (nos EUA) diria que a ideia do casamento gay é totalmente ridícula. Hoje, se você falar com jovens americanos, 70% deles vão defender sua aprovação".



Pois bem, "Flores Raras" não precisa caber num catálogo de "filmes homossexuais" porque cabe no dos grandes filmes de amor e porque já pertence a uma época em que a orientação sexual talvez seja, enfim, inessencial.



Não me lembro de um momento de minha vida (sequer a infância) em que a orientação sexual fosse, para mim, um fato relevante. Um pilar de minha educação moral foi minha avó, que era católica devota e moralmente preconceituosa, mas dotada de senso prático -se eu fosse homossexual, ela provavelmente se tornaria antipapal (talvez anglicana) na hora.



O outro pilar foi meu pai, para quem a própria ideia de "anormalidade" era uma bizarrice. Embora fosse especialista, tinha uma prática de médico de família: de manhã, ele visitava seus pacientes a domicílio. Quando eu estava de férias, ele pedia que eu o acompanhasse. Dizia que era para lhe fazer companhia. Suspeito que ele quisesse me ensinar a reconhecer meus semelhantes na diversidade do mundo, das casas, dos quartos e das vidas. Enfim, divago. Não perca "Flores Raras".

Contardo Calligaris
Jornal Folha de São Paulo



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Fragmentos



A tarefa da psicanálise é se ocupar do inconsciente 

quando o inconsciente nos faz sofrer, isto é, quando a

defasagem entre o que somos e o que nos escapa nos

tornam infelizes. 



J.D. Nasio - Um Psicanalista no Divã



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Dicas para uma boa apresentação



Apresentar trabalho, seja como aluno ou como profissional, tornou-se uma prática corriqueira. Afinal, vivemos em uma sociedade marcada pelo avanço da tecnologia visual. Uma tecnologia que nos permite tirar fotos ou fazer filmes em qualquer momento do dia.


No entanto, uma coisa é preparar a apresentação das fotos do final de semana ou das férias para mostrar para os amigos ou familiares. Outra, muito diferente, é apresentar para um grupo, com ajuda de imagens, nosso ponto de vista sobre uma teoria ou um produto.


Praticamente todas as apresentações têm como objetivo levar pessoas a aderir a algo: pode ser uma ideia, um produto, um conceito ou mesmo uma mudança de comportamento. Para alcançar esse objetivo a apresentação – texto e imagens - deve ser conduzida por uma história coerente, bem estruturada e atraente, capaz de despertar e manter a atenção da audiência.


A sua maneira de pensar e de construir uma apresentação profissional tem mais a ver com a sua idade e com a sua geração do que você imagina.


Executivos da geração X e anteriores tendem a optar por um tipo de construção distinto dos profissionais da geração Y. É claro que não é algo tão engessado assim, mas as diferenças são geralmente visíveis.



E embora os profissionais mais jovens estejam mais identificados com o novo modelo, mais atrativo e com mais recursos visuais, as duas gerações têm pontos fortes e fracos na hora de elaborar suas apresentações. Confira:





Pontos Fortes da geração X e anteriores


1. Conhecimento aprofundado
“A geração X tem a questão de ir atrás do conhecimento, porque antigamente se alguém queria entender alguma coisa tinha que conversar com uma pessoa que soubesse ou se aprofundar nos estudos”.
São pessoas que apresentam conhecimento embasado e mais aprofundado sobre temas, o que reflete positivamente na hora de elaborar uma apresentação.

2. Calma e segurança
O pensamento é mais racional e a pressa é menor. Por isso, a dedicação com que os profissionais da geração X trabalham uma apresentação traz segurança tanto na hora de elaborar o material quanto no momento da apresentação. 



Pontos fracos da geração X e anteriores

1.  Muito texto, pouca imagem
Essa geração não tem muita facilidade visual, usam e abusam dos bullet points.  Ausência de recursos visuais pode deixar a apresentação pesada e nada atrativa para quem a vê.

     2. Pouca abertura para novas ideias
    Há um risco de achar que sabe tudo sobre o tema. O excesso de segurança pode atrapalhar na hora de o profissional se abrir para novas ideias. E na hora de transmitir este conhecimento, há o perigo de nem sempre levar em consideração a bagagem dos ouvintes.
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     Pontos fortes da geração Y e futuras
1. Bagagem mais visual e criativa
É uma geração que sabe lidar com a imagem e com a fotografia. Por isso, apostar em recursos visuais definitivamente é um ponto forte das suas apresentações.
2.   Agilidade na hora de buscar conteúdo

O acesso à informação é pleno. Os jovens da geração Y sabem onde encontrar o que precisam e não têm dificuldade em lidar com as novas tecnologias. Já nasceram com essas ferramentas, por isso a facilidade. A facilidade de encontrar conteúdo permite que os jovens tenham maior poder de análise crítica. São pessoas que não acreditam em tudo que elas veem.

Pontos fracos da geração Y e futuras

1.   Superficialidade
É simples e rápido buscar e encontrar textos, imagens, filmes, conteúdos para a apresentação. O desafio é fazer a curadoria para extrair o que é relevante. O imediatismo dos jovens atrapalha na hora de se aprofundar sobre os temas.

2. Excesso de informações desconectadas
Outro pecado cometido pela geração Y na hora de organizar uma apresentação é o excesso de informações. É tão fácil conseguir conteúdo que os profissionais podem cair nesta armadilha de ir colocando conteúdo sem que ele esteja amarrado. O problema é transformar a apresentação em um grande “Frankenstein” de conteúdo.


FONTE: Site Revista Exame


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Os Assexuados: Uma Vida Sem Sexo



Nem gays, nem héteros, nem bissexuais. Eles simplesmente não gostam de transar. Homens e Mulheres que não sentem desejo, defendem a abstinência e lutam para ser reconhecidos como uma nova orientação sexual.



Michael Doré tem 28 anos e nunca beijou. Nem pretende. Beijos, carinhos e qualquer forma de contato íntimo lhe causam repulsa. “O sexo me enoja”, diz ela. “Sou um assexual convicto.” É quase impossível imaginar que um cara como ele, charmoso, bem-sucedido — é um matemático norueguês e PhD da Universidade de Birmingham, na Inglaterra —, sequer pense em transar. Ainda mais nos dias de hoje, em que sexo e orgasmo são quase uma obrigação. E, antes que alguém pergunte o que há de errado com Michael, ele mesmo responde: “Não, não sou gay, não fui abusado na infância, nem tenho problemas hormonais. Eu simplesmente não gosto de transar”.

Assim como ele, a pedagoga mineira Rosângela Pereira dos Santos, o bancário americano Keith Walker e uma legião de assexuados dos mais diferentes cantos do planeta começam a sair do armário. São homens e mulheres de todas as idades, perfeitamente capazes de fazer sexo, mas sem nenhum gosto pela coisa. Gente que, graças ao apoio da Aven (Asexual Visibility and Education Network), rede que luta pela visibilidade dos assexuados no mundo, conseguiu se unir para levantar a bandeira da abstinência e lutar para que a assexualidade seja reconhecida como uma quarta orientação sexual (além de héteros, homos e bissexuais).
 
Sob o slogan “It’s o.k. to be A” (algo como “tudo bem ser assexuado”), esse grupo tem frequentado as passeatas gays de Nova York, São Francisco, Londres e Manchester. No grupo, lutando contra o preconceito em relação aos que não gostam de transar, há desde aqueles que nunca tiveram uma relação sexual na vida, até os que fazem sexo por obrigação, para não perder o parceiro.

 “Por assexual entende-se apenas aquele que não sente atração sexual, não o que não é capaz de se envolver”, explica a socióloga Elisabete Oliveira, que fez do assunto tema de seu doutorado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. “Existem os assexuais românticos e os não românticos. O primeiro grupo consegue se apaixonar, casar e até ter filhos — desde que não haja sexo envolvido. O segundo não gosta de carinhos e não se sente apto a se apaixonar.”



Na França, no dia 24 de abril de 20913, aconteceu (na internet) a primeira jornada dos assexuados. Um movimento que há anos, segundo o jornal Libération, junta, cada vez mais, sujeitos que se declaram pertencentes a uma sexualidade “sem sexo”.

O fenômeno merece atenção, haja vista que se torna uma palavra de ordem para 1% dos sujeitos do planeta que atestam esta nova identidade. Em nome do “respeito” devido a cada ser humano, esta nova denominação quer se fazer reconhecer, em sua diferença, como um “quinto gênero” (LGBT mais assexuados) que têm o “direito” de existir.

A blogueira e jornalista Peggy Sastre, autora do No Sex, avoir envie de ne pas faire l’amour, (No sex, vontade de não fazer amor). Defende que na assexualidade não se trata nem da abstinência do lado religioso, nem da recusa, do corpo enquanto tal, mas uma reivindicação de que se possa, de que se tenha o direito de não ter vontade… de fazer amor, como o título de seu livro indica. São sujeitos que «preferem não».

FONTES: Site: Instituto Adé Diversidade
Site: Escola Brasileira de Psicanalise 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

DROGAS ILEGAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS



Drogas no Brasil: uma política à beira do retrocesso


“A política atual fracassou e o que estão fazendo no Brasil é simplesmente dar um passo atrás enquanto todo o mundo está buscando soluções inteligentes”. Foi assim que o ex-presidente da Colômbia, César Gaviria, resumiu as ações do governo brasileiro em relação ao uso de drogas no País.


O tema foi objeto de palestras durante o Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade (CID 2013), que levou 700 de pessoas ao Museu na República, em Brasília, com o objetivo central de repensar o rumo dessa política no Brasil. O evento reuniu representantes do governo, da sociedade civil, de instituições de ensino, estudantes e entidades ligadas ao tema. Diferentes nações, como Portugal e Uruguai, já aprovam reformas legais descriminalizantes em relação ao uso de drogas.


No ano 2000, pesquisa realizada em Portugal mostrou que as drogas simbolizavam o maior problema do país. Em 2001, o governo português ousou, com um sistema comandado pelo Ministério da Saúde, excluindo internações compulsórias e repressão milita do rol dos tratamentos destinados a usuários. Em 2011, a investigação foi repetida e o uso de entorpecentes não constavam sequer na lista dos dez maiores problemas locais.


No Brasil, o cenário é bem diferente. Entre várias medidas, alguns estados, sobretudo São Paulo e Rio de Janeiro, têm implementado uma política de combate ao crack fundada em internações compulsórias e involuntárias, mesmo com posicionamentos contrários de entidades, grupos, movimentos sociais e populares, em todo o Brasil, que ressaltam implicações das medidas do ponto de vista ético, jurídico e político.


Um dos mais respeitados médicos do mundo sobre o tema, o húngaro-canadense Gabor Maté, que participou do Congresso Internacional sobre Drogas, estima que a cada 100 pessoas que experimentam crack, aproximadamente 20 fiquem dependentes. O crack é mais viciante que a maconha (9%) e menos do que o tabaco (32%), a taxa mais alta entre as drogas. A cura, segundo ele, não engloba cadeia, internação forçada ou ampliação das penas para usuários de drogas, e sim algo mais simples, como a solidariedade e a compaixão – ações que as ajudem a encontrar sentido para as próprias vidas. “A dependência não reside na droga – ela reside na alma”, afirmou.


No Brasil, o Projeto de Lei (PL) 7.663/2010, quer alterar os dispositivos da lei sobre drogas. A proposta apresentada pelo PMDB-RS teve o texto-base aprovado pelo plenário da Casa em 22 de maio. Ela segue, agora, para avaliação pelo Senado Federal. O projeto prevê a internação involuntária de dependentes por até 90 dias, solicitada por um familiar ou por servidor público que não seja da área de segurança pública, e aumenta a pena mínima do traficante de cinco para oito anos de cadeia.


O diretor fundador da Drug Policy Alliance (EUA), Ethan Nadelmann, esteve no CID 2013 e se mostrou bastante desanimado com os rumos da política de drogas brasileira. “O Brasil insiste em seguir as pegadas de políticas americanas falidas, encarcerando pessoas nos presídios ou em centros de tratamento compulsório. Não há nenhuma prova de que essa seja uma política eficiente”, disse. “O governo brasileiro, que tenta tanto descriminalizar a pobreza, não leva em conta que não há nada mais eficiente em criminalizá-la do que estes programas”, completou.


O aumento das penas mínimas de cinco para oito anos para traficantes é outro alvo de críticas em relação ao projeto. “É mais do que o tempo previsto para homicídio”, considera o ex-secretário nacional de Justiça e professor da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Abramovay. De acordo com ele, a lei não esclarece o limiar entre usuário e traficante. “Quando colocados na mesma situação, o pobre é traficante e o rico, usuário”, comparou. 


O professor da Universidade de São Paulo (USP), Henrique Carneiro, frisou a falta de amparo científico na discussão em torno da política de drogas. “O PL leva em conta uma espécie de ascensão ao domínio da sociedade brasileira de uma vertente fundamentalista, sem embasamento teórico, que tenta criar um pânico moral, fazendo da palavra droga um espantalho”, destacou.

FONTE: Jornal do Federal - CFP

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade


O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é conhecido como uma doença típica da infância. Crianças com esse quadro clínico apresentam falta de persistência nas atividades que envolvem concentração, não completa as tarefas, tem atividade excessiva e desorganizada. Podem ser também impulsiva e imprudente, propensa a acidentes e frequentemente apresenta problemas disciplinares por infração não premeditada de regras.Embora as crianças hiperativas tenham muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o quadro clínico é caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento.


As crianças hiperativas toleram pouco as frustrações. Elas discutem com os pais, professores, adultos e amigos. Fazem birras e seu humor varia rapidamente. Essas crianças tendem a ser muito apegadas às pessoas, precisam de muita atenção.  É importante para os pais perceberem que as crianças hiperativas entenderam as regras, instruções e expectativas sociais. O problema é que elas têm dificuldade em obedecê-las. Esses comportamentos são acidentais e não propositais.


Até a poucos anos acreditava-se que o TDAH melhorava ou desaparecia à medida que a criança tornava-se adulta. Sabe-se hoje, que esse transtorno persiste em cerca de 30% a 50% dos adultos que tiveram TDAH na infância. Em geral o transtorno é mais leve no adulto do que na criança, mas mesmo assim pode prejudicar bastante o cotidiano da pessoa.


A primeira condição para o diagnóstico de TDAH no adulto é constatar que a pessoa teve essa doença na infância. A doença não se inicia na idade adulta, trata-se da persistência da doença da criança no adulto.
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Os sintomas principais do TDAH no adulto são:

Déficit de atenção: a pessoa distrai-se com facilidade, comete erros por distração no trabalho ou nas atividades que exigem concentração, é desorganizada, "avoada", esquece compromissos assumidos, perde seus objetos ou não lembra onde os deixou, não presta atenção quando alguém está falando consigo, "sonha acordado".

Hiperatividade motora: agitação ou inquietação constantes. A pessoa não consegue ficar muito tempo parado, está sempre "a todo vapor", se está sentado fica mexendo os dedos, os pés, não consegue assistir TV ou um filme sem se levantar. Há uma movimentação excessiva e desnecessária para o contexto.


Outros sintomas característicos são:
Labilidade afetiva: oscilações entre tristeza e euforia,  mudanças bruscas de humor.
Temperamento explosivo: "pavio curto", brigas e discussões por motivos fúteis, perda de controle.
Hiperatividade emocional: "fazem tempestade em copo d’agua". Tem dificuldade de lidar com situações de pressão e de estresse.
Desorganização: mesas desarrumadas no trabalho, perda de documentos importantes, relatórios mal feitos,
Impulsividade: decisões são tomadas sem pensar, rompem ou iniciam relacionamentos/casamentos abruptamente, deixam empregos subitamente.


Além do comprometimento em diferentes áreas - social, profissional, familiar -, o que mais nos preocupa nesse quadro é que muito frequentemente essas pessoas fazem também abuso de drogas (álcool, cocaína...) e podem apresentar outros transtornos mentais concomitantemente: depressão, ansiedade.


TRATAMENTO
O acompanhamento terapêutico associado ao psicopedagógico tem ótimos resultados na grande maioria dos casos. Quando outros transtornos são associados ao quadro faz-se necessário o uso de medicamentos.


Maria Holthausen




domingo, 21 de julho de 2013

AUTISMO: EDUCAÇÃO PELA PEDRA?



No final de 2012, a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo passou a considerar, para todos os efeitos legais, o autista como pessoa com deficiência. Resultado da mobilização social de movimentos e associações de pais de autistas, tal processo conquistou, em 2013, como um de seus resultados, a publicação, pelo Ministério da Saúde, das Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo. No documento, salienta-se que, para que a atenção integral seja efetiva, as ações devem estar articuladas entre a rede do Sistema Único de Saúde, os Serviços de Proteção e Assistência social e os de Educação.

A inclusão no sistema público de educação, no entanto, é ainda um grande problema. A inclusão da pessoa com autismo é uma inclusão específica. Pela lei, todas as crianças matriculadas nas escolas públicas tem o direito à atenção especial. Uma delas é a de serem acompanhadas por auxiliar em sala de aula: sejam essas crianças autistas ou tenham outras deficiências comprovadas por laudo médico. Mas na prática, isso não acontece. As escolas não têm nem sala de aula nem profissionais preparados para atendê-las em suas necessidades. Professores e auxiliares se viram sozinhos, sem apoio ou preparação prévia. Frente ao despreparo das escolas, cabe aos pais a conquista pelos direitos de seus filhos “especiais”.

Em uma sala de aula, a criança autista tem que lidar com muitos estímulos visuais, auditivos e sensoriais que passam despercebidos para os alunos com desenvolvimento cognitivo “normal”. A adequação da iluminação da sala de aula, uma vez que as crianças autistas percebem e se incomodam com a luz trêmula das lâmpadas fluorescentes muitas vezes já velhas e gastas; a necessidade de um ambiente que não disperse sua atenção, devido à dificuldade de concentração em geral experimentada por essas crianças; e a redução do barulho em sala de aula, dada a maior sensibilidade auditiva.

Para as crianças com transtorno autista, tais estímulos incomodam, agridem e representam um grande desafio. Também apresentam necessidades especiais em relação à coordenação motora fina para o aprendizado da escrita.

Na maioria das vezes, conforme nos alertam os pais, o processo educacional não é pensado nesses termos. Simplesmente não existe uma adaptação até que ela seja exigida pelos pais.

Para vários estudos publicados sobre essa Síndrome, os benefícios terapêuticos da inclusão de crianças autistas nas escolas regulares encontram-se, principalmente, na área da sociabilização. - Convivendo com outras crianças e sendo incluídas nas salas normais elas têm que se adaptar às regras, aos combinados, e aprendem a se comportar de uma forma tradicional. Porém, só há benefício se elas forem respeitadas em suas particularidades e nunca forçadas a se relacionarem ou se comportarem como as outras. É preciso entender que seu funcionamento cerebral é diferente e não forçar, não impor. Elas devem se relacionar com outras crianças “quando” e “se” quiserem, pois não têm a mesma vontade ou necessidade dessa relação.

Mas, alertam também esses estudos, a inclusão pode não ser o melhor caminho em casos mais graves, em que a criança não fala, não escreve e não se comunica por meio de figuras ou outros modos possíveis de serem utilizados em sala de aula. É importante que os pais entendam que, neste caso, a criança pode ser discriminada muito mais do que aceita e ela sofre com isso.

Para que a política de inclusão alcance os resultados desejado, é urgente preparar as escolas e capacitar professores e equipes técnicas. Se o aluno for aceito na escola e não receber a educação dada aos outros, a inclusão é falsa. Alunos mais comprometidos que são separados e enviados a salas de recursos ou retirados das salas de aula por incomodarem os outros – ou se incomodarem com os outros – não estarão recebendo o que foram buscar na escola. É preciso conscientização e informação, educar professores e comunidade a respeito das características e particularidades dos alunos autistas.

É necessário que a escola esteja realmente preparada para que a inclusão gere os efeitos positivos desejados.

Maria Holthausen
FONTE: BLOG EDUCAÇÃO


domingo, 14 de julho de 2013

Pequena História da Homossexualidade



O British Museum, Londres, lança o livro A little gay history: desire and diversity across the world (Uma pequena história gay: desejo e diversidade pelo mundo), um catálogo com peças que comprovam que a homossexualidade faz parte da história da Humanidade há pelo menos quatro mil anos.

Para o curador do Museu, Richard Parkinson, “Não se trata da História de uma minoria, mas sim de parte da História da Humanidade. O desejo por pessoas do mesmo sexo sempre existiu em todas as culturas.”

Das milhares de peças do acervo do museu, 44 foram selecionadas em um primeiro momento para o livro. Entre as escolhidas estão os bustos do imperador Adriano (117-138 d.C.) e do seu amante Antínoo. Não podemos deixar de lembrar que Adriano e Antínoo formaram o ilustre casal do belíssimo livro da escritora francesa Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano.

Antínoo, depois de morrer afogado no Rio Nilo com apenas 18 anos, foi declarado deus por ordem do imperador em luto, que também mandou fazer esculturas em sua homenagem e erguer uma cidade com o seu nome, Antinoópolis. De acordo com o British Museum, pesquisas realizadas com os visitantes, por ocasião de uma grande exposição sobre o imperador romano em 2008, mostravam que poucos sabiam da sua preferência por homens.

Conforme informação do Museu, tudo o que está no livro pode ser visto, seja virtualmente (a coleção completa do museu está disponível em www.britishmuseum.org), seja ao vivo e em cores.

Segundo o curador da exposição, “A evidência do desejo por pessoas do mesmo sexo e as ideias de gênero foram sistematicamente deixadas de lado no passado, mas os museus, com as suas coleções, podem nos permitir olhar para trás e identificar a diversidade ao longo da História”.

Para Parkinson, estes tipos de evidência, muitas vezes parciais e, em alguns casos, ambíguas, foram sistematicamente escondidas ao longo da História, ou simplesmente censuradas. Assim, o projeto do livro começou quando o museu foi procurado por uma especialista que queria reunir essas informações do passado. A iniciativa enfrentou algumas dificuldades básicas, tais como a escolha das melhores palavras para tratar o tema. O emprego do termo “gay” está longe de ser o mais adequado. O ideal seria “desejo por pessoas do mesmo sexo”, por estar mais descolado de rótulos, mas, reconhece o curador, ele não atingiria o público geral com o mesmo entendimento.

“Estamos falando de rótulos. Existem muitas maneiras de ser gay, não só os estereótipos, e acho que desejo por pessoas do mesmo sexo é mais adequado para falar deste passado mais distante. Não dá para usar o mesmo rótulo dos dias de hoje.”

As peças no catálogo, que já está à venda na loja do museu e nas principais livrarias londrinas, também incluem objetos modernos, tais como bótons de campanhas pelos direitos homossexuais.


Fontes: - Jornal O Globo
site: www.britishmuseum.org

terça-feira, 9 de julho de 2013

SONO E DESENVOLVIMENTO INFANTIL



Equipe de cientistas da Universidade de Londres conclui: pais que permitem que os filhos deitem tarde influenciam negativamente no desenvolvimento cognitivo das crianças.

De acordo com os pesquisadores, as crianças de três anos que se deitam tarde podem ter problemas com o aprendizado da leitura e da aritmética.

Para os cientistas, a falta de sono perturba os ritmos naturais do corpo e influencia a flexibilidade do cérebro das crianças, abertas normalmente a novas informações.

Crianças com um ritmo de sono irregular raramente leem historinhas antes de dormir, além disso, elas veem mais televisão do que aquelas que vão para cama mais cedo, acrescentam os pesquisadores.