Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fracasso Escolar: Erros e Acertos




No texto a baixo, Andrea Ramal propõe que aluno, família e escola participem da resolução dos problemas gerados pelo mau desempenho escolar. São soluções que ajudam a diminuir os traumas, os transtornos e as cenas dramáticas; tão comuns nesses momentos.


 Meu filho ficou em recuperação: E agora?

Andrea Ramal

Dezembro é mês de alegria para muitas famílias e tensão para outras. Enquanto alguns estudantes planejam suas férias, outros enfrentam o desafio de estudar em dobro: é o caso de quem ficou em recuperação. Se o seu filho está nessa, saiba que, embora o primeiro impulso de muitos pais seja dar broncas, agora é mais produtivo acompanhar os estudos e motivá-lo a se esforçar ao máximo.

Evite fazer ameaças e dizer coisas como: “Por sua culpa a família toda ficará sem viajar”, ou “se for reprovado, será um ano inteiro sem videogame”. De modo algum diga frases que enfraqueçam a sua autoestima, como: “Nunca tirou essa nota, como vai conseguir agora?”, ou “seu irmão passou direto, e veja só você”.

Não adianta descontar nele o seu desapontamento, o estudante já está fragilizado. Ninguém está mais aborrecido do que ele, pois a maioria dos colegas vai se divertir, enquanto ele corre o risco de perder um ano. Por isso, dê apoio, mostre confiança e deixe claro que ele tem um aliado para superar o problema.

O que você pode fazer? Se o seu filho é criança, ajude-o a organizar a agenda de estudos; procure os professores para receber orientações; suspenda temporariamente as atividades extras; acompanhe a realização das tarefas. 

No caso de adolescentes, é preciso limitar os horários de TV e games, a duração dos papos pelo telefone, as saídas com amigos, o namoro, as redes sociais. Explique que não se trata de um castigo, mas de colocar o foco no objetivo deste momento. Isso será um aprendizado e tanto para outras etapas da vida.

Considere a possibilidade de contar com um professor particular. Não é algo que os educadores gostem de recomendar, pois, em geral, os alunos recebem ao longo dos meses, na própria escola, toda a orientação necessária para aprender. Contratar professores a esta altura, com o estudante “pendurado”, pode reforçar uma visão de que os pais sempre “dão um jeito” para livrá-lo dos problemas.

Porém, pode haver uma dificuldade específica de aprendizagem. Observa-se naquele caso do aluno que estuda, se esforça e, ainda assim, não vai bem. Uma ajuda pontual, nestas circunstâncias, pode ser positiva. Se a família não tiver condições de arcar com o custo das aulas, pode criar um grupo de estudos. Às vezes, a matéria explicada por um amigo fica até mais fácil de entender.

Passada a recuperação, é momento de refletir sobre o papel dos três implicados: o aluno, a família e a escola. No processo de aprendizagem, eles precisam trabalhar em sinergia e tanto a aprovação como o insucesso têm uma parcela de cada um.

No caso do estudante, os pais precisam conversar para saber o que houve. Os motivos foram ligados à atitude pessoal, como falta de estudo, brincadeira em excesso, desorganização? O problema ocorreu em várias matérias, ou numa em especial? Como pensa evitar isso no futuro? 

A família também precisa se questionar. A recuperação foi uma surpresa, ou já estavam prevendo? O mau desempenho vai sendo construído aos poucos, não é algo que se descobre de repente. Pode ser que os pais não estejam acompanhando os estudos. E pode haver outras coisas implicadas, como problemas de relacionamento na turma, conflitos familiares, algum distúrbio de aprendizagem, ou outro problema que a família ainda desconheça.

Por fim, cabe um questionamento à escola. Quando um aluno não aprende no tempo previsto, o colégio deve refletir se cuidou de cada um, de forma personalizada. Não adianta andar com a matéria se um grupo não aprendeu.

Além disso, a escola precisa verificar se há muitos alunos na mesma situação. Será que o nível de exigência está alto demais para a idade? O método das aulas funciona? Há algum problema com a turma – por exemplo, o “grupinho da bagunça” impede os outros de aprender, ou há um conflito entre os estudantes? 

Vale lembrar que a recuperação do final de ano não resolve tudo. O que funciona é a recuperação paralela, com classes de reforço, ou atividades na própria aula. Esse método é bem mais eficaz, pois resolve as lacunas de aprendizagem ao longo do ano. Por isso, é adotado pelas melhores escolas. Afinal, o objetivo da educação não é “passar de ano”; o que importa mesmo é garantir que todos os estudantes aprendam de verdade.

FONTE: Site G1


domingo, 9 de março de 2014

Ainda o Segundo Sexo




Fragmento do livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, escrito em 1949. Como podemos concluir através do texto, o projeto de vida  das mulheres não mudou muito nesses últimos 65 anos.


Hoje o casamento conserva em grande parte esse aspecto tradicional. E, antes de tudo, impõem-se muito mais imperiosamente à jovem do que ao jovem. Há ainda importantes camadas sociais em que nenhuma outra perspectiva se propõe a ela; entre os camponeses a celibatária é um pária; fica sendo a serva do pai, dos irmãos, do cunhado; o êxodo para as cidades não está a seu alcance; o casamento, escravizando-a a um homem, faz dela dona do lar. Em certos meios burgueses ainda se deixa a moça na incapacidade de ganhar a vida; ela só pode vegetar como um parasita no lar paterno ou aceitar uma posição subalterna em algum lar estranho. Mesmo nos casos em que ela é mais emancipada, o privilégio econômico detido pelos homens incita-a a preferir o casamento a um ofício: ela procurará um marido de situação superior à sua própria, esperando que ele “vença” mais depressa, vá mais longe do que ela seria capaz...
É natural que (ela) seja tentada por essa facilidade tanto mais quanto os ofícios femininos são muitas vezes ingratos e mal remunerados; o casamento é uma carreira mais vantajosa do que muitas outras...
Numerosas norte-americanas conquistaram sua liberdade sexual, mas suas experiências assemelham-se às dos jovens primitivos descritos por Malinowsky, que gozam na Casa dos Celibatários prazeres sem consequências; espera-se deles que se casem, e é somente então que são encarados como adultos. Uma mulher só, na America do Norte, mais ainda do que na França, é um ser socialmente incompleto, ainda que ganhe sua vida; cumpre que traga uma aliança no dedo para que conquiste a dignidade, integral de uma pessoa e a plenitude de seus direitos. A maternidade, em particular, só é respeitada na mulher casada; a mãe solteira permanece um objeto de escândalo e o filho é para ela um pesado handicap. Por todas essas razões, muitas adolescentes do Velho e do Novo Mundo, interrogadas acerca de seus projetos de futuro, respondem hoje como o teriam feito outrora: “Quero casar-me”.